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Milagre em Roma
RIO DE JANEIRO - No verão romano de 1983, Dorival Caymmi foi a grande estrela do festival Bahia de Todos os Sambas, no Circo Massimo, ao lado de João Gilberto, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Maria Bethânia, Gal Costa e Moraes Moreira, com o trio elétrico de Dodô e Osmar fazendo um carnaval na Piazza Navona.
Depois de um dos shows, dividi um taxi com Caymmi e Nana. O "Algodão" estava feliz, o rosto moreno cercado pelos cabelos branquíssimos, sereno como quem sabe, leve como quem aceita, o perfeito "Buda nagô" cantado por Gilberto Gil. Refestelado no banco traseiro, para deleite meu e do taxista, inicia um dueto da "Tosca" com Nana, enquanto rodamos pelas ruas estreitas do Trastevere. Caymmi foi criado ouvindo ópera e música clássica, adora Bach, diz que todos os acordes e harmonias que ainda hoje surpreendem os que se acham modernos já estavam nele.
Nana canta "Só louco", e a cidade eterna passa iluminada pela margem do Tibre. Dorival faz uma segunda voz, revira os olhos, faz bico com os lábios grossos e sensuais. É a encarnação do "dengo viril", uma macheza dengosa e sedutora, tão presente na vitoriosa mistura de baianos com árabes, como Jorge Amado, ou italianos, como Caymmi. O motorista está adorando o concerto e desconfio que faz um percurso mais longo mais por prazer do que por dinheiro. Várias músicas depois, quando chegamos ao hotel, abracei Caymmi comovido e, diante de minha expressão abobalhada de êxtase e gratidão, declamou com voz grave e majestosa:
"Cada minuto que passa é um milagre que não se repete".
Deu um tempo para que eu absorvesse tanta sabedoria filosófica e, com o timing de um grande comediante, revelou a fonte de tanta poesia: "Rádio Relógio Federal".
Boa noite, Dorival Caymmi.
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Escrito por mendesfreire às 16h31
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11/08/08 16:00h
O caderno de informática do “Estadão”, o Link, traz hoje, em quatro páginas, a mais completa e arejada reportagem que já vi na imprensa brasileira sobre todas as questões que envolvem o livro na era digital, assinada por Bruno Galo.
enviada por Sérgio Rodrigues ( 15 comentários | Link | Imprimir )
Escrito por mendesfreire às 19h51
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14/08/08 11:08h
Gosto de livros de citações. Seria cômodo dizer que minha eterna busca de frases espirituosas sobre o ato de escrever, provocada pela necessidade de renovar pelo menos uma vez por semana a epígrafe do Todoprosa, me levou a uma convivência íntima com eles. Mas é mais honesto reconhecer que não foi essa a ordem dos fatores.
Há um modo melhor e um modo pior de apreciar um livro desses. O pior é transformá-lo em algo próximo do vire-um-super-algo-em-dez-lições, um depósito de sabedoria concentrada que vai “direto ao ponto” – sendo o ponto, naturalmente, o aprendizado, o lucro ou a redenção do leitor. Para muita gente, não faz sentido ler coisa alguma se tal perspectiva contábil ou salvacionista não estiver no horizonte. E se os manuais de auto-ajuda são mais úteis pelo lado prático, coleções de frases gozam de boa reputação como instrumento aplicador de verniz e repositório de lições de moral. Provêm o cidadão de uma erudição de laboratório nada insatisfatória quando se sabe que a erudição propriamente dita dá um trabalho danado, além de poder tornar o sujeito um ermitão, um esquisito.
Já a maneira melhor de ler um livro desses é ver nele um jogo, um jogral em que idéias e modos de expressão conversam, concordando, se emendando, quebrando o pau, ao longo dos séculos:
“Ninguém que nunca saiu de seu país jamais escreveu algo digno de ser publicado. Nem mesmo nos jornais”, disse Ernest Hemingway em 1926. Logo seria desmentido por Nelson Rodrigues, que não arredava pé do Rio e se orgulhava disso: “Em Bangu eu já me sinto num exílio de Gonçalves Dias”.
Da Alemanha, em 1826, disse Goethe: “Aquele que não espera ter um milhão de leitores não deveria escrever uma linha”. Ao que respondeu o americano Gore Vidal, século e meio depois: “Idealmente o escritor só precisa ter como audiência os poucos que o entendem. É cobiça e falta de modéstia querer mais”.
E o que dizer da provocação feita pelo ensaísta escocês Thomas Carlyle em 1832, atirando na explosão do jornalismo e acertando bem na testa de nossos tempos digitais? “Considerando a multidão de mortais que manejam a pena nos dias de hoje, a maioria dos quais sabe soletrar e escrever sem violentar demais a gramática, a pergunta emerge naturalmente: como é possível, então, que nenhum trabalho provenha deles com um selo qualquer de autenticidade e permanência, capaz de durar mais que um dia?”
No fim das contas, esquadrinhar livros de citações em busca do que eles dizem sobre a literatura, sobre escrever, talvez seja mais do que uma obsessão pessoal. É possível que aí, no espelho da metalinguagem, resida a alma dessas obras.
Com prazer, em certa esquina do salão de espelhos reencontro uma boa tirada do escritor francês Julien Green (1900-1998): “O pensamento voa e as palavras andam a pé. Esse é todo o drama do escritor”.
Tem uma bela verdade nessa metáfora motora, não tem? A meu ver, tem um belo furo também: o tal descompasso de velocidades é o drama de quem escreve qualquer coisa, não propriamente do escritor. O escritor é um sujeito treinado para driblar esse problema. Donde se conclui que o fato de o pensamento ter asas e as palavras serem pedestres, longe de ser seu drama, é justamente seu ganha-pão.
enviada por Sérgio Rodrigues ( 20 comentários | Link | Imprimir )
Escrito por mendesfreire às 19h50
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O máximo do mínimo
SÃO PAULO - Por sorte, devoção e algum esforço, devo estar entre os fãs que mais assistiram a shows de João Gilberto nos últimos 40 anos - a maioria dos 35 ou 40 que ele fez. Não só no Brasil, onde assisti a quase todos os do Rio e de São Paulo. Também tive a sorte de estar morando na Itália nos anos 80, quando João fez alguns concertos na Europa, não só em Roma mas em Paris e Montreux, onde fui aplaudi-lo. O de Lisboa, perdi.
Nos anos 90, ele fez uns três ou quatro shows em Nova York, onde eu morava, e também em Miami, para onde voei. Meninos, ouvi. E nunca o ouvi desafinando ou atravessando o ritmo, como já vi ocorrer até às melhores vozes. Também por sorte, não fui a São Paulo para o célebre não-show do "vaia de bêbado não vale".
Em 55 anos de carreira, suas obras completas não passam de 16 discos, cerca de 200 músicas, várias delas em diversas versões: o melhor repertório jamais gravado por um intérprete brasileiro, a mais bela e rigorosa antologia de nossa música popular.
Como raros artistas modernos, João Gilberto tem, e pode e deve ter, plena consciência de sua genialidade, da história e da posteridade. E de preservar sua obra. Daí o extremo rigor e parcimônia nos shows e gravações, a exigência extrema no som da voz e do violão: se João Gilberto fosse um ser mitológico, seria metade homem e metade violão, indissolúveis em sua arte, o máximo do mínimo.
Ao contrário de um cantor com uma orquestra ou grupo, quando qualquer falha se dilui na sonoridade coletiva, com voz e violão o menor detalhe é do tamanho do todo. Como um rio musical, nunca se ouve João cantando a mesma canção, ela sempre soa nova e cheia de bossa. Porque ele é mais do que um intérprete, o maior deles: é o autor de um novo mundo musical.
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Escrito por mendesfreire às 19h38
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TAN TAN
http://www.americanas.com.br
Classificação: 
Valor médio: R$ 350,00 Comparar preços
O TanTan se comporta dentro do Samba como instrumento de marcação com timbre mais agudo. Sua função é preencher as notas cheias do Samba, fazer com que o ritmo fique mais marcado junto com o Surdo
Categoria: Objeto de Desejo
Escrito por mendesfreire às 16h51
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Futuro do pretérito
RIO DE JANEIRO - Enquanto o STF não decide sobre a obrigatoriedade de diploma para exercer o jornalismo, os blogs e sites explodem livres no Brasil e no mundo, a internet multiplica as informações e opiniões, em absoluta liberdade, onde cada um lê e diz o que quer, com incontáveis opções, que se ampliam a cada dia, a cada minuto.
Será que a exigência do diploma "melhorou" a nossa imprensa? Ou impediu que, como em outras corporações, também surgissem legiões de assessores e incompetentes, de picaretas, fanáticos e ignorantes em geral, na pequena, média e grande empresa? Certo é que nunca as faculdades de jornalismo, muitas são só fábricas de diplomas, ganharam tanto. Já o público...
Na juventude, lia com entusiasmo as teorias anarquistas, sonhando com a plena liberdade e responsabilidade individual, com o fim do Estado como pai, mãe, patrão ou religião. Para Proudhon, ser governado era ser observado, fiscalizado, controlado, numerado, doutrinado, avaliado, punido, autorizado, taxado, explorado, corrigido, licenciado, comandado - sob o pretexto da utilidade pública - por criaturas que não têm o direito, nem a sabedoria e nem a virtude para isto. Grande Proudhon.
Mas, o que é a internet, essa liberdade sem fronteiras, limites e controles, sem Estado, sem possibilidades de monopólios, burocracias e aparelhamento político?
Às vezes deliro um pouco tentando imaginar como Proudhon, Marx ou Freud teriam desenvolvido suas teorias em um mundo com essas liberdades e possibilidades. Se soubessem que o planeta estaria todo interligado e interagindo, sem intermediários. Parece um sonho anarquista realizado, muito melhor do que qualquer delírio libertário futurista do século passado. Enquanto isso, em Brasília...
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Escrito por mendesfreire às 17h04
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Depois de tantos tropeços, comecei um aprendizado: o dever do NÂO e o querer a SOLIDÂO.
Claro que não me tornei ranzinza, nem casmurra, nem amarga, nem o que de ruim quiserem me chamar, mas passei a viver mais o NÂO que diz sim para o melhor, e prefirir a SOLIDÂO, caminho de encontro com Deus e com o melhor dos homens.
Nesse sentido, escolhi e até decorei uma frase: sou anti-social!
Assim mesmo, com exclamação e tudo para não deixar brecha para contra-argumentos.
Diz, no entanto, o ditado que coração é terra sem dono, e o meu manda completamente em mim.
E não é que aceitei, dia desses, uma despedida de turma de alunos, e sem qualquer resistência nem frase feita.
Um SIM para uma turma que me deu trabalho, me fez corar de irritação e gelar de decepção.
Por fim, uma moçada que quis me falar de amor e me presentear.
Taí a foto desse encontro inesperado.
Beijo, queridos
Escrito por mendesfreire às 22h22
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Para "seu" Manuel Ulisses!
Esta história de "lei seca" assim como a proibição do uso de cigarros em locais públicos e fechados me irrita.
Por outra, faz-me lembrar dos bons tempos de menina.
Tempos de aniversários preparados por Mandinha, ponches de guaraná, sangria com maravilhosos pedaços de maçâ ou romã, copos descartáveis de papel colorido, muito doce escondido só pra mim, e as bonecas que recebi e detestei, exceto uma, minúscula, que um dia serviu na decoração de um dos bolos, que sempre ficavam pingados com as lágrimas de uma criança que já sabia demais, que já amava demais, que já sentia demais.
Domingos cheirosos, de galinha à cabidela na mesa, e o velho e fino homem, que todo domingo, logo cedo, chegava a nossa casa e vinha tomar uns goles com meu pai e beliscar as maravilhas que Arminda (era assim que esse português de olhos bem azuis chamava a minha Mandinha) preparava e jogar a fumaça de seus cigarros pela casa.
Hoje, com toda essa política anti-tabagista e anti-alcoolíltica, fico pensando como essas manhãs de domingo ficariam sem graça e se perderiam na memória de uma mulher que nunca abandonou o sonho e a coragem de amar.
Escrito por mendesfreire às 12h08
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Um deus e o silêncio de sua paz!
Eterno Pixinguinha!
Escrito por mendesfreire às 16h00
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A bananização da música
RIO DE JANEIRO - No fim do século 20, David Bowie previu que, no futuro, o comércio de música pela internet estaria nos computadores como a energia elétrica, o gás, o telefone e a TV paga estão nas casas e escritórios. O cliente teria uma assinatura e pagaria de acordo com o seu consumo. A música seria uma commodity, vendida a preço de banana. Tantos watts de eletricidade, tantos canais de tv, tantos quilos? litros? metros? bites? de música.
Hoje, além de um modelo de negócio em pleno florescimento em países onde prevalece a cultura de pagar pelo que se consome, a comercialização massificada e globalizada de música, legal e pirata, acabou com o que restava das antigas ilusões de importância, transcendência e glamour da música pop, que a indústria do disco desenvolveu - e sugou - à exaustão.
A vulgaridade se tornou um valor indispensável ao sucesso de massa. Os investimentos em promoção se tornaram muito maiores do que em criação e produção. Os melhores selos e gravadoras, criados por músicos, produtores e editores, terminaram em gigantescos conglomerados, dominados por advogados, financistas e marqueteiros.
A música, a melhor e a pior, se tornou irreversivelmente banal, como uma banana. O lado B, de bom, da bananização da música gravada, é a maior valorização da música ao vivo, quando se cria entre o artista e o público uma relação pessoal e intransferível, muito além do contato virtual e digital.
Há muitos anos, Caetano Veloso falava sobre fazer, ou não, músicas novas, e dizia que já havia música demais em toda parte. Imagine agora. Chico Buarque dizia detestar música ambiente porque, se é boa, distrai e atrapalha a conversa, e se é ruim, então para que tocar?
Mas, afinal, para que serve a música?
Escrito por mendesfreire às 15h55
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Chico Buarque
http://www.chicobuarque.com.br
Classificação: 
Página com vida e obra de Chico Buarque.
Categoria: Link
Escrito por mendesfreire às 15h02
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Todoprosa
http://sergiorodrigues.ig.com.br
Classificação: 
Um blog cultural!
Categoria: Link
Escrito por mendesfreire às 14h54
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""A felicidade humana vem da saúde, do amor e do dinheiro honesto""
Autor: Platão
Buscar na Web "Platão"
Quando: a.C
O filósofo justificando a razão da felicidade.
Categoria: Citação
Escrito por mendesfreire às 14h37
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""A arte é transformar sua sensação numa expressão que vá atingir o outro.""
Autor: Ferreira Gullar
Buscar na Web "Ferreira Gullar"
O poeta explicando o sentido da poeticidade.
Categoria: Citação
Escrito por mendesfreire às 14h34
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Era no tempo do rei
http://www.objetiva.com.br
Classificação: 
Valor médio: R$50,00 Comparar preços
Mais recente obra do escritor e jornalista Ruy Castro, que mistura ficção e história para tratar da vinda da família real portuguesa ao Brasil.
Categoria: Objeto de Desejo
Escrito por mendesfreire às 14h21
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